🔗 Contrate pelo comportamento. As habilidades a gente ensina. Será?

“Contrate pelo comportamento. As habilidades a gente ensina.”

Essa frase se tornou quase um mantra no mundo corporativo. E eu entendo perfeitamente o apelo dela. Afinal, conhecimento técnico pode ser desenvolvido. Comportamento, postura, valores e atitude parecem muito mais difíceis de ensinar.

Mas será que ensinar é tão simples assim?

Ensina? Mesmo?

Você já tentou tirar um PDI do papel?

Já tentou desenvolver alguém que não domina minimamente aquilo que o cargo exige?
Já acompanhou, de perto, o esforço necessário para transformar alguém “promissor” em alguém efetivamente preparado?

Só quem convive com um analista que ainda não é analista, um sênior que ainda não é sênior ou um especialista que ainda não é especialista sabe o tamanho do investimento — de tempo, energia, dinheiro e paciência — necessário para desenvolver pessoas.

E não estou dizendo que comportamento não importa. Importa muito. Talvez mais do que nunca.

Mas conhecimento também importa.

As organizações precisam, sim, investir no desenvolvimento dos seus colaboradores. Faz parte da responsabilidade de qualquer empresa minimamente comprometida com crescimento e sustentabilidade. Mas a empresa não é uma universidade corporativa em tempo integral — e, muitas vezes, também não possui estrutura, maturidade ou tempo para formar alguém do zero.

O que acontece é que passamos a valorizar excessivamente o comportamento, o perfil e o potencial porque, em muitos mercados, essa virou uma estratégia de sobrevivência. 

Ouvimos com frequência:

“Não existem pessoas prontas. Vamos ter que ensinar.”

Tudo bem. Vamos encarar os fatos e trabalhar com o que a casa oferece.

Mas é importante reconhecer o preço dessa escolha.

Porque aquele candidato com excelente postura, ótima comunicação e fit cultural impecável talvez demore bastante para “se pagar”. Enquanto isso, alguém da equipe precisará dedicar generosamente suas horas produtivas para ensinar, acompanhar, revisar e corrigir. O líder precisará lidar com entregas abaixo da expectativa. E a operação precisará absorver o impacto inevitável da curva de aprendizagem.

Em muitos casos, fechamos 100% da vaga com apenas 25% da entrega — ao menos por algum tempo.

E talvez o problema não esteja na frase em si, mas na forma simplificada como passamos a repeti-la.

Porque comportamento sem competência não sustenta resultado.

No fim, organizações saudáveis não escolhem entre um ou outro. Elas entendem que maturidade profissional exige os dois — e que desenvolver pessoas é muito mais complexo, caro e demorado do que frases bonitas costumam fazer parecer.

Você já conhece meu Podcast Elos Fortes? Clica aqui e escute agora mesmoUma competência tão valorizada quanto a empatia: saber ouvir