- Elos Fortes por Sheila Sampaio
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- 🔗 A empresa não precisa me fazer feliz
🔗 A empresa não precisa me fazer feliz

Mas não pode me fazer infeliz.
Joguei a bomba e saí correndo.
Mas agora te pergunto: você já parou para refletir sobre isso?
Independentemente da sua posição dentro da organização — seja empresário, gestor, líder ou integrante de um time — essa é uma pergunta que incomoda. Talvez porque ela toque em algo profundo: expectativas, frustrações e a forma como entendemos a relação entre pessoas e trabalho.
Ao longo deste ano, levei essa provocação para muitas (muitas mesmo) turmas de treinamentos, palestras e workshops. E, curiosamente, a resposta foi unânime: não.
Claro que a pergunta sempre gera discussões e reflexões interessantes. Mas, ao final, a conclusão costuma se parecer com isso:
“A empresa não tem a responsabilidade de me fazer feliz, mas também não pode me fazer infeliz.”
Bingo!
Essa frase simples carrega uma maturidade enorme sobre a relação entre indivíduos e organizações — e talvez seja um dos pontos de partida mais honestos para falarmos sobre felicidade no trabalho.
Onde nasce a confusão sobre felicidade no trabalho?
Nos últimos anos, o discurso corporativo passou a falar muito sobre felicidade, propósito, bem-estar e sentido. Em si, isso é positivo. O problema começa quando esses conceitos viram promessas implícitas.
A empresa oferece café gourmet, mesa de pingue-pongue, day off no aniversário e um discurso inspirador no onboarding. E, sem perceber, cria-se a expectativa de que o trabalho será uma fonte constante de satisfação emocional.
Mas trabalho não é terapia.
Empresa não é família.
E líder não é responsável pela realização pessoal de ninguém.
Quando essa fronteira se confunde, a frustração é quase inevitável.
O que, então, é responsabilidade da empresa?
Dizer que a empresa não precisa “fazer” o colaborador feliz não significa aliviar sua responsabilidade. Pelo contrário.
É responsabilidade da organização:
Oferecer condições de trabalho dignas e seguras
Ter relações respeitosas e éticas
Praticar coerência entre discurso e prática
Garantir clareza de papéis, expectativas e critérios
Desenvolver líderes minimamente preparados para liderar pessoas
Em outras palavras: a empresa não precisa ser fonte de felicidade, mas não pode ser fonte de sofrimento.
Ambientes tóxicos, lideranças abusivas, insegurança psicológica, falta de reconhecimento e jogos de poder adoecem — e isso não é aceitável nem sustentável.
E o que é responsabilidade do indivíduo?
Do outro lado da equação, existe algo que muitas vezes preferimos não encarar: ninguém terceiriza a própria felicidade sem pagar um preço por isso.
É responsabilidade do indivíduo:
Conhecer seus valores e limites
Fazer escolhas conscientes de carreira
Comunicar necessidades e insatisfações
Buscar sentido para além do cargo
Entender que frustração faz parte da vida adulta — inclusive no trabalho
Cuidar-se integralmente: beber 2 litros de água por dia, sono de qualidade, alimentação equilibrada, relações pessoais saudáveis (nossa vida é uma só, lembra?)
Quando esperamos que a empresa preencha vazios emocionais, dê sentido à nossa existência ou resolva todas as nossas angústias, criamos uma relação infantilizada com o trabalho.
E relações infantilizadas sempre terminam mal.
O papel real da liderança nessa história
Líderes não são animadores de equipe nem guardiões da felicidade alheia. Mas são, sim, responsáveis pelo clima que ajudam a construir todos os dias.
Uma liderança madura:
escuta,
comunica com clareza,
dá direção,
sustenta conversas difíceis,
reconhece,
e age com justiça.
Isso não garante felicidade.
Mas cria um ambiente onde as pessoas podem trabalhar bem, crescer e, eventualmente, se sentir satisfeitas.
E isso já é muito.
Quando empresa e indivíduo assumem suas partes, a relação fica mais saudável, mais madura e mais sustentável.
E, como consequência — não como obrigação — a felicidade pode até aparecer.
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